Não esqueçam da Nigéria!

People stand outside burnt houses following an attack by Islamic militants in Gambaru, Nigeria (11 May 2014)

Ao criar este blog quis mostrar a minha maneira de ver o mundo. Mas entre tantas maravilhas, monumentos e paisagens o que me fascina mesmo neste planeta são as pessoas, o ser humano.  Sabe o que me fez fazer as malas e ir morar em dois países diferentes, pegar avião para cima e para baixo? Foram as pessoas e seus sorrrisos, costumes e histórias.

O ser humano sempre me surpreendeu de boas e más maneiras. Sempre foquei no lado bonito, mas não quero que os leitores do meu blog vejam o mundo através de lentes e câmeras que só disparam diante de um céu azul ou algum monumento suntuoso. Lugares nunca foram os protagonistas da minha página, mas sim o ser humano e a sua casa. Não gostaria que os meus leitores fechassem os olhos para os milhares de mortos que foram vítimas do grupo terrorista Boko Haram.

Para nós é inimginável se ver na obrigação de fugir de casa pulando o corpo de seus familiares que foram queimados e fuzilados. É doloroso dizer que isso acontece diariamente com milhares de pessoas no continente ao lado. O motivo? Intolerância.

Boko Haram é um grupo terrorista, sediado na Nigéria, que classifica o Ocidente como uma máquina de pecados e busca pregar a educação islâmica nas escolas. Este movimento foi também responsável pelo sequestro de 276 garotas de uma escola em abril de 2014 que ainda continuam cativas.

Desde o início do mês, o grupo fez da Nigéria uma verdadeira carnificina, onde os poucos sobreviventes viram seus familiares e amigos sendo queimados vivos. Muitos fugiram de ônibus ou carro no momento dos ataques, deslocando-se para o Chade e Camarões, fazendo um total de 20.000 refugiados nos países vizinhos.

As autoridades não se pronunciam, enquanto isso o número de mortos nos ataques chega a 2000 e o grupo promete mais mortes, classificando os últimos acontecimentos como apenas a ponta do iceberg.

Os corpos de crianças, mulheres e idosos permanecem expostos onde caíram, podres e esquecidos pela mídia, pelas autoridades e por nós. Como não cuspimos o nosso café enquanto lemos no jornal o relato de uma pessoa que testemunhou o assassinato selvagem de uma mulher em trabalho de parto? Como não vamos para as ruas após saber que um grupo de extremistas sequestrou uma garota de dez anos que foi usada como homem-bomba em um atentado que matou 19 pessoas? Por que estamos parados?

Enquanto o Exército nigeriano, desmoralizado, abandona o campo de batalha, o presidente lamenta o atentado na França ao jornal Charlie Hebdo, vai a festas de aniversários e publica fotos sorridente no Twitter, sem pronunciar uma palavra sobre o que vem acontecendo em seu país – que mesmo sendo a maior economia do continente africano, tem uma enorme parte de sua população vivendo na miséria.

É fácil ficarmos mais comovidos com o que aconteceu em Paris, uma vez que esta cidade tem uma realidade bem mais parecida com a nossa. Além de possuir acesso à Internet, Paris não teve suas antenas de celular destruídas por um grupo terrorista, o que facilita o trabalho dos jornalistas que não querem arriscar suas vidas nas áreas de conflito no continente africano. Conclusão: a Nigéria está sozinha.

A África está esquecida, perdida em pequenas notas dos jornais, resumida em 10 segundos pelos noticiários. Devemos olhar para eles. Sei que é complicado, pois não temos ideia de como são esses ataques. Mas aqui vai uma parcela da realidade. Fiquem chocados, assustados e comovidos. É preciso.

Para aqueles que quiserem ajudar, comecem a compartilhar as pequenas notícias sobre o assunto, espalhem para seus amigos e colegas. As redes sociais podem nos ajudar a colocar uma pressão sobre as autoridades.

Quem quiser contribuir financeiramente, deve aguardar. A UNHCR ainda está se organizando para receber doações que auxiliarão os refugiados em Chade. Vale ficar de olho no site para ajudar as pessoas a terem água potável e uma vida digna dentro dos campos.

Com um clique um simples post ou uma #hashtag podemos movimentar e mostrar que além de Charlie, SOMOS TODOS NIGÉRIA.

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2 comentários Adicione o seu

  1. Marco Aurélio Secchi disse:

    Parabéns pelo blog! Cada vez mais p mundo precisa de pessoas com iniciativas como a sua!

    1. Giovanna Saba disse:

      Muito obrigada, Marcos! Fico muito feliz com o seu feedback! Volte por aqui sempre! 🙂

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