Na França, em Chinon: Casa do Rabelais

Francois_Rabelais_-_PortraitOlá pessoal, hoje vim mostrar a casa de alguém que foi muito importante para a língua francesa, o senhor François Rabelais.  O autor de Gargantua e Pantagruel foi um escritor franco-renascentista, doutor, monge e criador de muitas expressões que utilizamos hoje no nosso dia-a-dia.

Rabelais, um dos criadores da escrita europeia moderna foi um humanista respeitado de sua época. O francês estudou grego, latim, ciência, direito, deixou o monastério para estudar medicina e publicou seu primeiro livro em 1532, o Pantagruel.

Rabelais foi um escritor de sátiras, fantasias e textos repletos de piadas obscenas, sátiras, muito humor, duplo sentido e cheia de criticismo, principalmente em relação a educação.

O escritor viveu em uma época conturbada para a sua língua nativa, especialmente na forma escrita. Logo, o autor considerava o francês uma língua plural, que utilizava diversas palavras de origem latina, grega, italiana, árabe ou hebraico.

Se você acha que o autor não tem nada a ver com a nossa cultura lusófona, veja só quantas palavras que utilizamos hoje em dia que foram introduzidas no francês a partir do grego e do latim por Rabelais. É curioso observar que nas línguas vernaculares, essas mesmas palavras existem.

  • célèbre (célebre), frugal, patriotique (patriótico), bénéfique (benéfico), génie (gênio), automate (autômato), gymnaste (ginasta), indigène (indígena), horaire (horário), quintessence (quintessência). 

Como se não bastasse tudo isso em seu currículo, Rabelais inventou o spoonerismo – um jogo de palavras que consiste na mudança de certos fonemas, letras ou sílabas com o objetivo de adquirir um significado oculto mascarado pela inocência da frase. Por exemplo, um de seus trocadilhos mais famoso: “Femme folle à la messe, femme molle à la fesse” (literalmente: Mulher louca na missa, mulher mole com bunda). Mesmo intraduzível, a mudança de letras é perceptível.  Para entender essa figura de linguagem um pouco melhor aqui vai um exemplo em português “bola de gude, gula de bode”.

E quer saber mais? Rabelais inventou duas expressões que utilizamos muito hoje:

Mettre la charrue avant les boeufs” – Colocar a carroça na frente dos bois
Faire le sucré” – Fazer doce

Não há dúvida que Rabelais foi um dos autores que enriqueceu a língua francesa. E em julho deste ano, pude visitar a casa onde o escritor nasceu em novembro de 1494. Rabelais cresceu nos arredores de Chinon na região de Touraine.

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A vista do jardim são lindos campos verdes. E se você olhar bem ao fundo, notará um castelo na linha do horizonte. Quanto será que é o aluguel pra morar por aí? hehe

As estátuas dispostas no espaço pertenciam a uma exposição que retratava as crianças de todo o mundo e seus estereótipos. Muito interessante, não é?

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Recomendo fazer a visita na casa do Rabelais com muita calma. Não deixe de levar um livro para ler enquanto contempla a vista maravilhosa.

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Este é o Rabelais sentado na porta de seu quarto, brincadeira hehe É só o Loïck 😉

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Este espaço fica dentro do antigo quarto do Rabelais. É possível observar nas paredes alguns registros feitos pelo próprio escritor.

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Amys vous notterez que par le monde y a beaucoup plus de couillons que d’hommes et de ce que vous soubvienne.”

No francês atual pode ser traduzida como “Amis, vous noterez que dans le monde il y a beaucoup plus de couillons que d’hommes, souvenez-vous-en.”

E em português: “Amigos, vocês notarão que no mundo existem muito mais manés do que homens, lembrem-se.”

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A casa de Rabelais comporta uma fazenda subterrânea que abrigava os animais no inverno.

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No exterior da casa, a melhor parte: UMA AMOREIRA 😀 😀 E para encerrar o post e comentar esta foto ridícula, cabe aqui a frase de Rabelais que abre o seu primeiro livro:

 “Pour ce que le rire est le propre de l’homme.”

Em francês moderno: “Car le rire est le propre de l’homme.”

Em português: “Porque o riso é próprio do homem.”

ENDEREÇO:

4, Rue de la Devinière, 37500 Seuilly, France

Phone:+33 2 47 95 91 18

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