Por que viajar só, faz tão bem?

 

Muro de Berlim com a minha amiga alemã Luisa.
Muro de Berlim com a minha amiga  alemã Luisa.

Entre idas e vindas, despedidas e almoços de boas-vindas, descobri porque viajar faz tão bem para você, para as pessoas que te amam e as pessoas que conhecerá no futuro. A maioria das vezes que viajei, foi sozinha. No começo, estar ali naqueles aeroportos cheios e vazios de pessoas que não conhecia me amedrontava. Não sabia o que esperava por mim. E foi assim, depois de noites cheias de imprevistos em aeroportos, atrasos, noites repentinas na Cidade do México ou mal dormidas no chão de Luton Airport, aprendi porque viajar faz tão bem.

É como dizem: viajar é o único dinheiro gasto que não lhe trará prejuízos. Pode dar tudo errado na sua viagem, mas quando estiver contando como correu entre um terminal e outro com medo de perder o voô de conexão ou quando ficou seis horas num avião pousado por conta de uma tempestade, você vai dar risada.

Viajar te coloca em situações em que você nunca se imaginou. Viajar te força a confiar em pessoas que nunca viu na vida, seja pra indicar algum caminho, te guiar de Luton até Londres na correria para não perder o último trem, te ajudar a pedir um pão na boulangerie ou te resgatar quando você rolou montanha abaixo quando esquiava na Argentina. Viajar te aproxima das pessoas, te aproxima de si mesmo.

A rotina é dura e as pressões sociais reprimem nossos desejos e ambições. Estar em um mesmo lugar sempre faz com que sejamos engolidos por crenças alheias do que é certo ou errado. Viajar te liberta, te encoraja a fazer o que nunca pensou que poderia fazer.

Apesar de sempre viajar desacompanhada, nunca me senti sozinha. As pessoas que encontrava no meio do caminho me abriam um sorriso e entendiam meu desespero quando não sabia como ligar pra casa de um telefone público. Ou me ofereciam a baguete inteira mesmo que não tivesse troco pra pagar nem a metade.

Já fui confortada por um total estranho no avião, porque chorava por estar partindo de Paris. Encontrei um francês na rua pedindo um isqueiro aos meus amigos e ele acabou se tornando o meu namorado. Já morei com uma garota alemã que abriu as portas da sua casa e me proporcionou uma noite de Natal muito legal. Já morei com uma grande amiga que cozinhava legumes na frigideira quando sabia que eu não queria fazer nada, mas estava com fome.  Já saí no meio de uma tempestade, com a minha amiga Tiemi, em Londres rumo ao aeroporto de Luton para não perder meu voô para Dublin – sem a certeza que chegaríamos vivas no nosso destino.

Quando viajo, sou a Giovanna que sempre quis ser. Sem medos, sem cobranças sociais do dia-a-dia, sem rodeios para dizer no que acredito ou não e com o coração aberto para confiar nas pessoas. Afinal, não importa se estamos longe de casa, nunca estaremos sozinhos.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s