Para ler: Bukowski

Bukowski bebendo

Sempre, entre meus amigos, ouvia referências ao Bukowski (a pronúncia correta é Bucáusqui, mas eu prefiro dizer Bukóvsque). O poema “Pássaro azul” foi uma espécie de amor à primeira vista. Acho que tenho anotado umas três vezes no meu Moleskine (valeu Pri, por me apresentar os prazeres da vida, vulgo, Moleskine e Bukowski). Mas e aí? Quem é Bukowski? Aliás, quem foi Charles Bukowski? Esse novelista, poeta e gênio literário nasceu na Alemanha em 1920, mas ainda pequeno foi morar nos Estados Unidos. E, ao contrário dos que muitos pensam, o cara não era cheio de frases feitinhas de incentivação, a história na verdade é outra.

O cara teve uma infância meio punk, os pais não lhe davam muito carinho (entenda: surras desnecessárias todos os dias) e, ainda jovem, adquiriu uma espécie de acne crônica (quem leu Misto Quente, sabe que o tratamento pra isso é bem horrível). Uma época de sua vida, ele passava horas e horas na biblioteca forever alone, lendo Dostoiévski e Hemingway, duas de suas grandes inspirações (pois é, só gente badass).

Sem amigos e convivência horrível com a família, o velho safado encontrou uma solução no mundo da pinguinha e da poesia. Com 15 anos ele já escrevia, mas só foi publicar seu primeiro livro aos 35 anos.

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Charles Bukowski não gostava daqueles livros que continham páginas com frases compridas e palavras esquisitas, isso influenciou muito o seu estilo na hora de escrever. Bukowski é um cara direto, ele fala mesmo, na lata. O cara é sujo e, muitas vezes,  depressivo. O que torna a leitura de suas 50 obras, um passatempo delicioso e bem intrigante. As críticas à exclusão social no american way of life e o jeitinho de anti-herói fazem a gente devorar as páginas de suas publicações em pouquíssimo tempo.

O alterego de Bukowski é o tal do Henri Chinaski, que está presente em cinco de suas obras. E é impossível não ficar alucinado com toda aquela atormentação, bizarrice e ausência de pudores. Claro que isso teve um precinho na vida do alemão, por conta do realismo em suas obras, Bukowski perdeu muitas amizades.

Leia Misto Quente para saber da infância e adolescência TOTALMENTE conturbada do Charlezinho, passe para o Cartas na Rua para ver o que depressão is really about e então leia Pulp, livro que Bukowski terminou um pouco antes de morrar de Leucemia em 1994, entretanto nessa obra o personagem principal não é Chinaski, mas Nicky. Ainda sim, sem rodeios ou palavras bonitas. O velho safado manda o garbo para aquele lugar e usa termos como merda ao invés de fezes, e puta ao invés de “moça das curvas perigosas e olhar ingênuo”. Genial!

Prefiro ler Bukowski em parques, por alguma razão rs (fotos tiradas do meu Instagram @giovannasaba).
Prefiro ler Bukowski em parques, por alguma razão rs (fotos tiradas do meu Instagram @giovannasaba).
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4 comentários Adicione o seu

  1. Priscila disse:

    Fui citada, fui citada, fui citada =D

    1. Giovanna Saba disse:

      Hahahaha como jornalista, levo créditos muito a sério ❤

  2. Peter.P disse:

    Venho vendo suas postagens a um tempo mas nunca me manifestei. Mas sei la, com o passar do tempo e postagens acabei me identificando um pouco haha. Lembro que quando eu morava na minha antiga casa, tinha uma biblioteca pessoal do meu pai onde ele deixava eu entrar algumas vezes pra ler alguns livros,mas haviam alguns que ficavam nas prateleira de cima (propositalmente) onde eu não podia pegar, claro que como um moleque um tanto curioso queria saber o porquê daqueles livros “intocáveis”… Então peguei um dos livros que ainda alcançava e joguei na prateleira de cima e depois de algumas tentativas caiu um livro chamado Pedaços de Um Caderno Manchado de Vinho. Me sentei e comecei a ler… e no inicio lembro de ter ficado um tanto quanto impressionado e um pouco confuso,já que não entendia muito do que estava escrito la.. mas busquei me informar e quando terminei de ler o livro tudo se encaixou meio que como um quebra cabeça.. Ali conheci o altor e até hoje estou conhecendo a imaginação e os pontos de vista do mesmo… Já faz anos que li o primeiro livro de Bukowski, e até hoje não me canso de ler suas obras…

    1. Giovanna Saba disse:

      Fiquei muito feliz com o seu comentário. Bukowski é sensacional, a maneira direta de escrever, as loucuras… tudo é incrível rs Adorei que você burlou a censura e pegou um livro da prateleira mais alta hahahaha

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