Protestos: quais são os limites?

Fonte: Estadão
Foto: Estadão

Lendo alguns artigos da imprensa alternativa e da grande mídia conservadora e assistindo vídeos que mostram o que aconteceu nesses dois últimos dias em São Paulo, percebi que nós não sabemos o que queremos. Em meio de tantas revoltas vãs nas redes sociais a respeito da corrupção, violência e crime que comentam a omissão do brasileiro em relação à cobrança de novas políticas públicas, jornais da grande imprensa (e grande parte da população) se dirigem aos manifestantes do Movimento do Passe Livre, como vândalos e ignorantes por conta da destruição ocasionada e o conflito com a Polícia Militar. O que a mídia não diz é que o MPL já defendia a ausência de tarifa há anos.

Os manifestantes, oriundos também de partidos como Psol e PSTU e pessoas até sem uma posição política definida se reuniram para combater o aumento da tarifa de ônibus e não vão descansar até conseguirem um reajuste ou, pelo menos, uma promessa que não haverá mais aumentos. Aparentemente, os fins não justificam os meios para aqueles que se reuniram no centro nessa quinta (6) e sexta-feira (7) no centro de São Paulo. Meios de transporte pichados, vidros quebrados, fogo aqui e ali foram algumas das maneiras que a população encontrou para mostrar que é contra esse aumento – que poderia ser maior se não houvesse interferência das autoridades.

Isso é certo? Não sei, perdooem-me, mas tenho essa dúvida. Mostrar contrariedade apenas por palavras vagas no Facebook? Nunca resultou em nada. Abaixo-assinados? Algumas vezes, deram certo. Mas atacar aquilo que é patrimônio público prejudica, principalmente, nós mesmos. Ao mesmo tempo, penso que se não fosse a atitude desses manifestantes, um outro aumento poderia aparecer em um piscar de olhos, enquanto isso aqueles que postam no Twitter a respeito da omissão do brasileiro frente aos problemas sociais, políticos e econômicos do país são as mesmas pessoas que reclamam por estarem no trânsito por conta de uma manifestação que também envolve os mesmos interesses que elas tem.

Foto: Estadão
Foto: Estadão

PM pra cá, PM pra lá, fotógrafo atingido por pedra, bombas de gás, algumas pessoas detidas são algumas das consequências de toda essa movimentação. Poderíamos fazer tudo isso de uma maneira pacífica? Poderíamos, mas acredito que as providências não seriam tomadas tão cedo. De um lado, eu vejo pessoas que acreditam na sua voz e no poder da democracia, de um outro lado vejo uma cidade prejudicada, vandalizada e uma polícia violenta. Até que ponto temos que chegar para que o governo faça alguma coisa? Aparentemente encher os emails de um assessor, twittar o prefeito, governador, o Papa… nunca resultou em nada.

Os protestos, os movimentos sociais aceleram a criação de políticas públicas, mas é triste ver patrimônios públicos e alguns profissionais pagando por isso. A questão é: protestar pacificamente e esperar mais ou exigir o aqui e agora através de manifestações mais notáveis?

Anúncios

2 comentários Adicione o seu

  1. Gi, texto bem escrito e com boa reflexão. A jornalista já está aí. Vou dar uma sugestão: da próxima vez que escrever um artigo de opinião, procure ir um pouquinho além e fundamentá-lo não só nas notícias, mas também na teoria, além de citar outras pessoas que já tenham abordado o assunto. Você vai longe e tenho muito orgulho de você. Bj.

    1. Giovanna Saba disse:

      Tia, estou tão feliz com o seu comentário! 😀
      Obrigada pelas dicas, tentarei seguir sua sugestão para melhorar o texto.
      Beijinhos 🙂

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s